sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Coleçao Aprender Brincando
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| Mário e Jan |
Um dia, eu estava conversando com papai e surgiu a idéia de criar uma coleção de cartilhas direcionadas para as crianças das escolas públicas. A coleção teria a finalidade de contar a vida e a obra de brasileiros ilustres, através de uma linguagem acessível, e ilustrada com desenhos para colorir, o que certamente tornaria mais agradável a utilização das cartilhas nas atividades escolares.
Papai só impôs uma condição: a coleção não poderia ser comercializada, teria que ser distribuída nas escolas. Diante disso, a única saída foi procurar patrocinadores, empresas que bancassem a impressão das cartilhas em troca de publicidade na capa.
Assim, papai começou a produzir o texto da primeira cartilha, que contaria a história de Gilberto Freyre, e eu fiquei com a missão de procurar um artista gráfico para ilustrar o texto, fazer a diagramação gráfica da cartilha e encontrar uma empresa para custear a impressão.
Para fazer as ilustrações convidei o Marcel Mello, que na época estava começando suas atividades como artista gráfico, mas já tinha um traço bem definido e marcante. Quando conversei com o Marcel, ele adorou a idéia e topou de primeira. Achou fantástica a idéia de distribuir as cartilhas nas escolas públicas.
Em seguida, o mais difícil, a empresa para patrocinar a impressão das cartilhas. Resolvemos fazer uma parceria com a Fundação Gilberto Freyre, que tinha um convênio com o Governo do Estado que promovia constantes visitas dos alunos das escolas da rede pública à Fundação Gilberto Freyre. A idéia de distribuir as cartilhas através da Fundação durante as visitas foi sugerida e aceita imediatamente pelo então Superintendente Gilberto Freyre Neto.
Assim, fui procurar uma empresa para patrocinar a impressão da primeira cartilha, intitulada Um Menino Chamado Gilberto Freyre, com a chancela da Fundação que levava seu nome. Na verdade, não foi difícil. Comentei o projeto com o Clóvis Lacerda, na época diretor da Elógica, que era o maior provedor local de internet. Ele topou na hora. Adorou o projeto. Papai ficou muito feliz. Foram impressos 15.000 exemplares do primeiro número da coleção Aprender Brincando.
Fizemos o lançamento na Fundação Gilberto Freyre, que a partir desse dia passou a distribuir as cartilhas com os alunos das escolas públicas que participavam das visitas dirigidas à Fundação.
A partir dai, meu pai não parou mais de escrever, quando dei por mim, mais três textos já estavam prontos: Joaquim Nabuco, Dom Hélder Câmara e Capiba.Com os três textos já ilustrados pelo artista plástico Marcel Mello parti em busca de patrocínio para as cartilhas. Encontrei na BCP Telecomunicações um grande parceiro. Através de um dos seus diretores, Albino Serra, meu amigo particular, entrei em contato com o departamento de marketing da empresa que comprou de imediato a idéia. Eles adoraram o fato da coleção não poder ser comercializada.
E assim foi feito. Foram impressos 15.000 exemplares de Um Menino Chamado Joaquim Nabuco, 15.000 exemplares de Um Menino Chamado Hélder Câmara e 15.000 exemplares de Um Menino Chamado Capiba. Todos distribuídos pela Fundação Gilberto Freyre aos alunos das escolas públicas que visitavam a Fundação.
O sonho do meu pai estava realizado, de uma vez só atingimos um grande público, carente de informações, com um produto gratuito e de boa qualidade. Assim, no início do ano 2000, a coleção Aprender Brincando contava com 4 números impressos e meu pai estava para completar 80 anos no dia 14 de maio. Resolvi então prestar uma homenagem a ele e escrevi o texto de Um Menino Chamado Mário Souto Maior. O Marcel fez as ilustrações e a BCP bancou, mais uma vez, a impressão. Lançamos a cartilha durante a sua festa de 80 anos que foi realizada na Fundação Joaquim Nabuco, no dia do seu aniversário. Foi um sucesso e meu pai ficou muito emocionado. Como as anteriores, a cartilha foi distribuída nas escolas públicas pela Fundação Gilberto Freyre, mais 15.000 exemplares foram entregues aos alunos carentes de nossa cidade.
O sonho do meu pai estava realizado, de uma vez só atingimos um grande público, carente de informações, com um produto gratuito e de boa qualidade. Assim, no início do ano 2000, a coleção Aprender Brincando contava com 4 números impressos e meu pai estava para completar 80 anos no dia 14 de maio. Resolvi então prestar uma homenagem a ele e escrevi o texto de Um Menino Chamado Mário Souto Maior. O Marcel fez as ilustrações e a BCP bancou, mais uma vez, a impressão. Lançamos a cartilha durante a sua festa de 80 anos que foi realizada na Fundação Joaquim Nabuco, no dia do seu aniversário. Foi um sucesso e meu pai ficou muito emocionado. Como as anteriores, a cartilha foi distribuída nas escolas públicas pela Fundação Gilberto Freyre, mais 15.000 exemplares foram entregues aos alunos carentes de nossa cidade.
Em novembro de 2001, meu pai faleceu. Com a morte dele a coleção Aprender Brincando foi interrompida. Passei uns bons anos sem ter coragem de manusear as coisas dele. Até o site ficou abandonado. No ar, mas estagnado. Me faltavam forças, ânimo para me envolver com o mundo do folclore de Mário Souto Maior. Algum tempo atrás, resolvi refazer o site dele, na tentativa de não deixar morrer a sua obra, a sua memória, não deixar que ele, com o esquecimento, morresse pela segunda vez (frase de um escritor, do qual não lembro agora). Contando com o apoio cultural do Urbano Vitalino Advogados, o site foi refeito usando um gerenciador de conteúdos e foi todo repaginado. Estamos colocando vários dos seus livros para download.
Procurando material para o site, encontrei alguns disquetes de papai. Entre outros, encontrei mais 6 textos para a coleção Aprender Brincando. Monteiro Lobato, Assis Chateaubriand, Rui Barbosa, Câmara Cascudo, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e um texto chamado Uma Cidade Chamada Recife.
Resolvi então retomar a coleção. Primeiro, disponibilizando os números já existentes para download de duas formas: Uma versão para leitura e uma versão para impressão em tamanho A4. Em qualquer impressora as cartilhas impressas usando a função frente e verso já sairão prontas. É só dobrar e grampear, podendo assim ser distribuídas para todos que tiverem interesse nos livrinhos.
Os textos inéditos tentaremos publicar. Vamos procurar empresas para financiar a impressão e distribuir o maior número de exemplares possível. Você quer ajudar? Entre em contato: jan@soutomaior.eti.br
Versões para Download
Um Menino Chamado Gilberto Freire - Leitura | Impressão
Um Menino Chamado Joaquim Nabuco - Leitura | Impressão
Um Menino Chamado Hélder Câmara - Leitura | Impressão
Um Menino Chamado Capiba - Leitura | Impressão
Um Menino Chamado Mário Souto Maior - Leitura | Impressão
Versões para Download
Um Menino Chamado Gilberto Freire - Leitura | Impressão
Um Menino Chamado Joaquim Nabuco - Leitura | Impressão
Um Menino Chamado Hélder Câmara - Leitura | Impressão
Um Menino Chamado Capiba - Leitura | Impressão
Um Menino Chamado Mário Souto Maior - Leitura | Impressão
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Um Menino Chamado Mário Souto Maior
Um dia, conversando com papai, sugeri que ele escrevesse livrinhos infantis sobre a vida e obra de grandes brasileiros. Criamos assim a coleção Aprender Brincando. Convidamos, então, o artista gráfico Marcel Melo para ilustrar os livrinhos que seriam destinados, exclusivamente, a distribuição gratuita nas escolas públicas da cidade do Recife. Com os livros escritos e ilustrados corremos em busca de patrocínio para que fosse possível distribuir uma grande quantidade de exemplares. Com o apoio do Grupo Elógica e da BCP Telecomunicações, hoje Claro, foram publicados e distribuídos Um Menino Chamado Gilberto Freyre, Um Menino Chamado Hélder Câmara, Um Menino Chamado Joaquim Nabuco e Um Menino Chamado Capiba, num total de 15.000 exemplares de cada.
Para homenagear os oitenta anos do meu pai, tomei seu lugar e em 2000 escrevi Um Menino Chamado Mário Souto Maior, que foi lançado durante sua festa de 80 anos realizada na Fundação Joaquim Nabuco em 14 de julho de 2000. Aqui vai ela...
UM MENINO CHAMADO MÁRIO SOUTO MAIOR
- Xiiiiii, cadê vôinho? Será que não vai ter estorinha hoje, Tio Jan? - gritou Lucas, contrariado.
- Vai sim, Lucas. Seu avô teve que sair, mas o tio aqui vai contar pra vocês uma estorinha muito bacana que, com certeza, vocês vão gostar.
A meninada me olhou, desconfiada. É que eles já estavam acostumados a ouvir, aos domingos, o avô contando estórias descrevendo a vida de grandes brasileiros e o que fizeram para merecer o respeito de todos. E fui sentando na cadeira do avô deles, meu pai, Mário Souto Maior. Mesmo desconfiados, todos se sentaram perto de mim, meio insatisfeitos, mas curiosos.
- É sobre um pernambucano que vocês conhecem muito, um cabra da peste que já escreveu muitos livros sobre o povo nordestino, seus usos, seus costumes...
- E o que é cabra da peste? Será um bicho, uma cabra doente? - quis saber Érica.
- Não, Érica. Cabra da peste é como são chamadas as pessoas que nascem no interior do Nordeste. Pessoas corajosas, valentes e boas e que, desde cedo, enfrentam os problemas causados pela seca, por exemplo...
- Ah! entendi, Tio Jan. mas quem é esse cabra da peste? - perguntou Érica.
- Vocês o conhecem muito bem. O nome dele é Mário Souto Maior.
- O vôinho? - perguntaram todos.
- Ele mesmo.
- Ôba! - gritaram todos de uma só vez.
- Conta, Tio. Conta, vai.
- Então prestem atenção. Mário Souto Maior, o vô Bálio (como o chama Eduardo), filho de Manuel Gonçalves Souto Maior e de Marieta da Mota Souto Maior, nasceu no dia 14 de julho de 1920, na cidade deBom Jardim, interior de Pernambuco, a uns 100 km de Recife. Cresceu como todo nordestino, tomando banho de açude, jogando pião e boa de gude, empinando papagaio, caçando lagartixa de bodoque, chupando pirulito de açúcar, saboreando algodão doce e alfenim, andando pelo mato em busca de aventuras, brincando de Lampião e Antônio Silvino armado de baladeira ou estilingue ou bodoque.
- O bodoque, baladeira ou estilingue é feito com um pequeno galho de árvore, geralmente de goiabeira, no formato da letra Y, no qual se prendem dias tiras de borracha de câmara de ar de automóvel, brinquedo muito usado pelos meninos do interior.
- E serve pra que? - perguntou Bruno, que estava muito atento.
- Os meninos usam o bodoque para atirar, usando o fruto da carrapateira ou bolinhas de barro como balas.
- Aqui, em casa, tem uma goiabeira. Só falta a carrapateira... - falou Lucas.
- Mas vamos continuar a estória. O menino Mário começou a aprender a ler quando fez 10 anos, na escola da professora Santinha. Fez o curso primário e ginasial no Colégio Marista (Recife), o pré-jurídico no Colégio Carneiro Leão, para em seguida, formar-se em Direito pela Faculdade de Direito de Alagoas.
Antes de terminar o curso de Direito o avôbde vocês casou com vovó Carmen e tiveram seus sete filhos: Fred, Gise, Jane, Lis, Jan e os gêmeos Glen e Ed.
- Puxa Tio, que nomes engraçados - falou Marcelo.
- Ah! Foi o avô de vocês que escolheu e caso nome tem a sua estória.
- Conta Tio...
- Vou contar. O nome escolhido para o primeiro filho foi FREDERICO. Mas o avô de vocês , separando as sílabas do jeito dele, encontrou FRED-É-RICO. Como não tinha ninguém rico na família, cortou o ERICO e batizou o menino como Fred, que, como vocês sabem, é casado com Maria Helena e pai de Carolina, Érica e Marcelo. Em seguida, nasceu a primeira menina e seu nome seria Gisele. Vô Mário cortou o LE e ficou somente Gise, que é a mãe do Bruno. Depois nasceu a segunda filha que seria Rejane, que, sem o RE, ficou Jane. Em seguida veio a terceira menina que seria Elisabete que perdendo o E e o BETE foi batizada de Lis. Depois néscio eu, Jan, nome de um personagem de um livro que ele estava lendo. Os gêmeos foram batizados homenageando duas pessoas. Glen, em homenagem ao maestro Glen Miller e Ed, nome de um grande amigo americano dele, Edmund Molloy, claro que o avô de vocês para não perder o hábito cortou o MUND, e ficou somente Ed.
- Bem criativo o vô Mário, não é Tio Jan? - falou o Bruno.
- É, mas vamos continuar a nossa estória. Advogado dos pobres, Mário Souto Maior foi promotor público de Surubim e João Alfredo, foi Prefeito de Orobó, professor da Escola Normal e do Ginásio de Bom Jardim, que fundou para que os meninos pobres de sua terra pudessem estudar e foi Inspetor Federal de Ensino do Ministério da Educação.
Em 1967 veio, com toda a família, morar no Recife, para que nós, seus filhos, pudéssemos estudar, já que em Bom Jardim não havia universidade. Foi trabalhar no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, hoje Fundação Joaquim Nabuco, onde começou a fazer suas pesquisas e escrever seus livros, sempre abordando o folclore como tema.
- O que é Folclore, Tio? - perguntou Érica.
- Folclore é o conjunto de tradições e usos populares de um povo. Suas danças, comidas, adivinhações, sua maneira de falar e coisas mais.
- Difícil, não é Tio? - continuou Érica, sempre muito curiosa.
- É apenas trabalhoso e exige muita dedicação e paciência. Vô Mário começou a esçrever seus livros. Publicou Como Nasce um Cabra da Peste, que foi transformado em uma peça de teatro por Altimar Pimentel, seu amigo. Depois publicou Cachaça, Nomes Próprios Pouco Comuns, Comes e Bebes do Nordeste, Dicionário do Palavrão, num total de mais de setenta livros.
- Tantos assim, Tio? Pra que vovô quer tantos livros ? - perguntou Lucas.
- Para que as pessoas possam pesquisar e aprender através deles.
- Hoje, com seus oitenta anos de muito trabalho e de muita luta é chefe da Coordenadoria de Estudos Folclóricos da Fundação Joaquim Nabuco, onde trabalha desde 1967. Mário Souto Maior - meu pai e avô de vocês - é poeta, contista, folclorista, escreve para revistas e jornais brasileiros e estrangeiros e já ganhou muitos prêmios.
- E vô tem taça? Quis saber Lucas.
- Tem sim, Lucas.
- Gooool!- gritou Eduardo levantando as mãozinhas e pulando.
- Com o livro Alimentação e Folclore, ele ganhou o prêmio Sílvio Romero (1979) do Ministério da Educação e Cultura e o Gran Prêmio Íberoamericano Augusto Cortazar (1989), do Fondo do Ministério de la Educación Y Justicia, da Argentina.
- Este ano ele está completando oitenta anos e agente vai fazer uma grande festa para ele.
- Vai ter bolo? - perguntou Bruno.
- Vai ter sim, Bruno. Guaraná, pipoca, bola de soprar, cocada, suspiro, algodão doce, e tudo o que ele merece.
E a garotada saiu da sala, fazendo a maior algazarra, cada um fazendo seus planos para comemorar o aniversário do avô, contador de estórias.
Após o seu falecimento, em 2001, achei mais uns 10 textos, entre eles, Um Menino Chamado Monteiro Lobato, Um Menino Chamado Rui Barbosa, Um Menino Chamado Câmara Cascudo e Uma Cidade Chamada Recife. Estou procurando patrocínio para publicar e distribuir os livrinhos.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
As Aventuras de Rodrigo Come-Come: O aniversário
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| Desenho de Rayanna - 8 Anos |
Um dia, Rodrigo foi convidado para uma festa de aniversário. No dia da festa, tomou banho, colocou sua melhor roupa e, como não gosta de chegar atrasado, foi correndo para o local da festa.
Para variar, chegou quase uma hora adiantado. Ainda não tinha chegado ninguém. Mesmo assim Rodrigo resolveu dar uma olhada no salão da festa, e aproveitando que a porta estava só encostada, foi ver como estava a arrumação.
O salão estava todo arrumado e tinha duas mesas bem no centro. Uma com um imenso bolo e outra repleta de doces e salgados.
O cheiro do bolo começou a invadir o nariz de Rodrigo, ele se aproximou da mesa, olhou pro bolo enorme, de três andares, todo coberto de chocolate, uma beleza. Não resistindo, passou a mão na barriguinha e disse:
- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!
E engoliu o bolo inteiro de uma vez só. Não sobraram nem as velinhas. Com uma abocanhada só, Rodrigo engoliu um bolo enorme de três andares. Assustado, olhou pros lados para ver se alguém já tinha chegado, mas viu que estava sozinho no salão.
Não satisfeito, Rodrigo se aproximou da mesa de doces e salgados. A mesa estava cheia. Empadas, pastéis, bem-casados, brigadeiros, queijadinhas e o seu doce preferido: quindim.
Irresistível !!!! Rodrigo se aproxima da mesa sem tirar os olhos das guloseimas, como se estivesse hipnotizado. Sentiu o cheirinho de coisa gostosa. Passou a mão na barriguinha e disse:
- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!
E comeu todos os doces e salgados de uma só vez! Não sobrou nenhum para contar história.
De repente ele escuta vozes. E agora? Os convidados estão chegando....
Rodrigo se joga embaixo de uma das mesas e fica escondido pela toalha colorida que cobre a mesa e vai até o chão.
Quando os donos da festa entram no salão e se deparam com as mesas vazias ficam nervosos e sem entender o que tinha acontecido. Onde estão os doces? E o bolo? O bolo sumiu!!!
Rapidamente foram buscar um outro bolo, e alguns doces que tinham ficado na cozinha. Arrumaram rapidamente as mesas, para que o aniversariante pudesse comemorar com seus convidados.
Escondido embaixo de uma das mesas, Rodrigo Come-Come faz um esforço enorme para não fazer nenhum barulho. Mas o cheirinho de coisas gostosas começou a chegar no seu nariz, e a barriguinha do Rodrigo começa a roncar.
As pessoas ficaram sem entender nada. Todos escutando aquele ronco baixinho, como se tivesse saindo do bolo. De repente, sem agüentar mais, Rodrigo Come-Come sai do seu esconderijo, avança para a mesa do bolo, passa a mão na barriguinha e diz:
- Tá me dando uma fominnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhaaaaaaaaaaaaaaac !!
Engole o bolo todinho de uma só vez! Depois do susto, o aniversariante e seus convidados percebem o que havia acontecido com os bolos e os doces e partem pra cima do Rodrigo.
Rodrigo sai correndo da festa, com toda aquela multidão atrás dele e se embrenha na floresta, procurando um lugar para se esconder. Correu muito, durante várias horas, até que não conseguiu mais ver ninguém atrás dele. Muito cansado, suado, sentou-se num tronco próximo. Ofegante, só sentia aquele vazio no estômago. Correu tanto que a fome bateu de novo. Passou a mão na barriguinha e disse.....
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Anna Christina
sábado, 27 de outubro de 2012
Por que as rãs são verdes?
Esse conto infantil eu criei hoje, quando minha sobrinha Ray me pediu para brincar de criar estórias. Eu fui criando na hora e como ela gostou tanto, resolvi colocar aqui no Blog. Enquanto estava escrevendo, encontrei através do Facebook, Marcel Melo, amigo de longas datas, artista gráfico, e pedi a ele uma ilustração, que, 15 minutos depois, já estava em minhas mãos.
POR QUE AS RÃS SÃO VERDES
Para Ray
Era uma vez, uma lagoa muita grande de águas cristalinas. Enorme! Ela tinha uma ilha bem no meio, dividindo-a em duas partes. A ilha era coberta por uma vegetação fechada e alta, e de cada um dos lados da lagoa, não se via o lado oposto.
Do lado de cá da lagoa viviam muitas rãs, bem verdinhas e de todos os tamanhos, que passavam o dia se alimentando de pequenos insetos e tomando sol em cima das pedras que cercavam a lagoa.
Em meio a todas, uma pequena rã em especial se destacava. Ela chamava-se Gilda e era toda amarelinha. Gilda vivia triste por ser tão diferente e não gostava das brincadeiras que as outras rãs faziam por causa de sua cor.
As outras rãs a chamavam de canário e ficavam mandando ela voar. Pura brincadeira de rã. Assim, Gilda vivia sempre sozinha e gostava de ficar sobre uma pedra no meio do lago, olhando para a ilha em frente, tentando imaginar o que lá havia.
Um dia, Gilda se encheu de coragem e resolveu fugir, atravessar a lagoa e nadar até chegar na ilha misteriosa, nunca antes visitada por qualquer uma daquelas criaturas. Encheu uma mochila de comida e esperou a noite chegar.
A noitinha, enquanto todos dormiam, Gilda nadou até a ilha, e lá chegando, entrou na mata, andando sempre na mesma direção. Um cheirinho gostoso de mato e uma ventania bem fresca acompanhavam Gilda, enquanto ela andava procurando um lugar para descansar e passar a noite.
De repente, Gilda avista um pequeno ponto de luz, lá distante, e para lá se dirige. A medida que caminha o ponto de luz aumenta e quando chega mais perto avista uma pequena cabana com a janela aberta e iluminada.
Gilda se aproxima, empurra a porta da cabana e entra, meio assustada. Sentado em uma cadeira de balanço, um sapo bem velhinho, de barba branca e bem comprida, que se arrastava no chão, sorriu para ela e gentilmente ofereceu uma cadeira para que ela se acomodasse.
- Olá, pequena rã, meu nome é Sapusco e o seu?
- Meu nome é Gilda, respondeu.
- o que você faz aqui, Gilda? De onde você vem?
- Eu venho lá da lagoa, fugi de lá. As outras rãs não gostavam de mim.
- Por quê? Perguntou o velho sapo.
- Por causa da minha cor, todas as rãs da lagoa são verdes. Só eu sou amarela.
- Você é especial Gilda, e quando chegar no fim de sua viagem, descobrirá a razão de ser tão diferente. É melhor dormir agora.
Assim, Gilda escolheu um cantinho e se ajeitou, preparando-se para dormir. O velho sapo adormeceu na cadeira e tinha um sono bem barulhento, cheio de roncos e assobios. Gilda adormeceu, apesar do barulho e teve um sono bem tranquilo.
Quando amanheceu, o velho sapo tinha desaparecido. Gilda juntou suas coisas e seguiu seu caminho através do matagal. Depois de muito caminhar, Gilda começou a notar que as árvores começavam a ficar mais baixas, e o mato menos fechado. Aos poucos, começou a avistar um lago, apressou o passo e chegou na margem. Não havia ninguém por perto. Cansada, Gilda escolheu uma pedrinha bem lisa e adormeceu.
O sol forte e já bem alto acordou Gilda. Ao despertar, ela viu dezenas de rãs ao seu redor. Todas verdes, igualzinhas as da sua lagoa.
Gilda ficou tão triste que começou a chorar. Havia andado tanto pra nada. Aqui, ela também seria diferente de todas as outras rãs.
De repente, uma rã menino, bem azul, da cor do céu, apareceu, e sorrindo perguntou:
- Como se chama?
- Eu me chamo Gilda, e você ?
- Meu nome é Gil. Você é muito bonita. Parece um canário...
- Gilda sorriu e disse - Obrigada, você também é muito bonito, parece um periquito...
Gilda e Gil ficaram muito amigos e se casaram. Um dia, quando nasceu a primeira filhinha, ficaram maravilhados. Havia nascido uma rã verdinha.
Gilda então entendeu porque era diferente. Na verdade, no começo dos tempos todas as rãs meninas eram amarelas e as rãs meninos eram azuis, dando origem, assim, as rãs verdinhas.
Gilda percebeu que, na verdade, ela era especial, fazia parte do grupo que originou toda uma raça. Um sorriso apareceu em seu rosto quando lembrou-se das palavras do velho Sapusco.
E assim viveu feliz toda a sua vida.
26 de Outubro de 2012
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
A Lágrima e a Flor
Faz tempo que não vejo,
Faz séculos que eu não sinto,
Faz vida que eu não tenho,
Um livro que sempre li.
Há muito que eu quero,
Faz tempo que eu preciso,
Faz vida que ela existe,
Agora é que descobri.
Mas quando se ilumina o caminho,
E os olhares se cruzam,
As lágrimas alegres e tristes,
Não me deixam mais sozinho.
E a cada lágrima que rola,
É uma flor que desabrocha,
É uma lágrima alegre que chora,
Porque você está aqui.
E quando rola aquela lágrima,
É como se a flor murchasse,
É quando você vai embora,
E a vida deixa de sorrir ...
Outubro - 2012
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